Na madrugada da terça-feira, 12 de agosto de 2008, nossa pequena equipe deixa Caiena a bordo de um 4×4 altamente carregado. Nós partimos para a descoberta das Guianas vizinhas com o objetivo de fazer uma excursão até as cataratas do Kaieteur no coração da Guiana (britânica), via as capitais Paramaribo e Georgetown.

Nós chegamos em Suriname, após ter atravessado o Oeste guianês e o rio Maroni. De St-Laurent à Albina, a balsa La Gabrielle atravessou o rio-fronteira em aproximadamente meia hora. Depois retomamos a estrada até Paramaribo, a capital.

A paisagem dos primeiros quilômetros ainda são familiares aos viajantes: as mesmas borboletas amarelas voam no ar quente desse mês de agosto; a estrada, mais ou menos asfaltada, atravessa a mesma paisagem de floresta secundária sobre a areia branca. Ao rítmo das clareiras se desenham aldeias com pequenas casas de madeira, a maioria ocupada por populações bushinenguées. Pouco depois da fronteira da antiga Guiana holandesa (Suriname), uma estela lembra uma dolorosa particularidade do país: o monumento“86” celebra a guerra civil que aniquila as populações, há 20 anos.

De noite, em Paramaribo, M. B. nos recebe. Como aproximadamente um terço da população, ele pertence à comunidade hindustana. Engenheiro civil, ele é especialista na construção de obras de arte na região, e participou da edificação de pontes e  diques de Mana  na Guiana Francesa. Por conhecer bem as três Guianas, ele pode comparar as problemáticas. Ele sublinha suas similaridades, principalmente em termos de população: aos primeiros Ameríndios, se juntaram as populações vindas do mundo inteiro, especialmente oriundos dos antigos impérios coloniais.

O Suriname, graças ao seu domínio dos sistemas de irrigação e aos polders*, é um importante produtor de arroz. Esses mesmos recursos se encontram nas terras da Guiana, igualmente drenadas e irrigadas por uma rede de canais. Na Guiana Francesa, essas técnicas foram utilizadas em menor escala.

O tamanho das cidades sobre o planalto das Guianas cresce em uma velocidade elevada, suscitando, em todas as regiões, as mesmas problemática de remanejamento e organização. No que diz respeito às infraestruturas pesadas, o Suriname prevê a construção de um novo porto marítimo. O projeto de uma ponte ligando Suriname à Guiana junta-se ao da rodovia panamericana; essa última ligará o Norte da América do Sul ao seu Sul pelo litoral. De acordo com M. B., esses são elementos fundamentais para o desenvolvimento do país, contribuindo em sua abertura para o exterior.

Após ter entrado em contato com o WWF, do qual a sede inter-regional se situa em Paramaribo, nós retomamos nossa viagem pelo litoral em direção ao oeste. A floresta, vai sendo progressivamente substituída por vastas planícies sedimentares, a maior parte recoberta por imensos arrozais.

De noite nós chegamos a New Nickerie, segunda maior aglomeração do Suriname pelo tamanho, e última etapa antes da Guiana. Essa bela cidadezinha cercada por canais, substituiu a antiga Nickerie, engolida pelo mar no século XIX. Pela manhã, as ruas ficam cheias de atividade. A feira da quinta acontece no mercadão coberto e revela a excelente riqueza das regiões fronteiriças. Sob suas arcadas, é um turbilhão de cores, cheiros, idiomas e dialetos, que marcam a riqueza da miscigenação das Guianas. Além dos serviços habituais de um cabeleireiro ou de uma locadora de videos, aqui encontramos também uma grande quantidade de incensos, talismãs e outros amuletos da sorte. Suntuosos tecidos em cores chamativas ou pulseiras trançadas à mão, estão lado a lado com barracas de camisetas que trazem a efígie de Brahma ou de celebridades do show-biz, e  estatuetas de Vishnou em ferro branco dourado.

Na praça, os motoristas de taxi-co (taxi coletivo), ficam contentes por troca cultural com os estrangeiros curiosos da Guiana Francesa que eles parecem conhecer pouco. “ Mas o território é perigoso não? ” pergunta um deles. Como aconteceu muito ao longo de todo o nosso trajeto, algumas pessoas também demonstraram um certo receio tanto em relação com um Guiana vizinha como com a outra… a falta de conhecimento é o berço de inúmeras idéias falsas!

De New Nickerie ao embarcadouro na Corentyne River,cerca de vinte quilômetros de estrada estão quase terminados. No final da estrada, nós embarcamos na balsa para atravessar o poderoso rio Corentyne.

No posto-fronteiriço seguinte, o que nós temíamos foi confirmado: os veículos franceses não estão mais autorizados a circular em Guiana.  Foram horas de negociação, telefonemas feitos para todos os lados e não cederam em nada… Mesmo sendo todos inflexíveis, nossos interlocutores são amáveis e atenciosos; aqui, sente-se um ar de “ british courtesy ” (cortesia britânica). M. D. – funcionário da balsa que nos acompanha há horas – nos leva à Corriverton. Os guardas alfandegários nos reservaram quartos… no hotel mais próximo da delegacia!

Desde então, a aventura continuou por meios de transporte públicos. Pelas estradas da Guiana, circulam enormes caminhões carregados com muitas dezenas de pessoas, outros menores bem decorados chamados de «tapires» -, carros tunados reluzentes, charretes puxadas por cavalos ou burros… Os motoristas utilizam muito os sinais sonoros e luminosos para facilitar o trânsito, que se tornou um pouco caótico devido ao número crescente de veículos. Evidentemente, todos respeitam os animais que vão e voltam livremente: burros, zebus sagrados, gado e aves.

No dia seguinte, foi de taxi que nós seguimos para a capital. Em New Amsterdam, nós atravessamos de balsa  o Berbice River.

A estrada é cercada por diversos locais de cultos diferentes e em formatos supreendentes (abóbadas e torretas, cores vivas e tecidos multicoloridos): templos hindus, mesquitas… Casas magníficas de arquitetura original, enfeitadas com pequenos jardins bem cuidados, nos quais percebemos bandeiras coloridas relacionadas com as crenças hindus. As outras residências são mais modestas, em madeira, a maior parte sobre palafitas. Como nas outras Guianas, não há muitas construções com mais de um andar.

Nós chegamos em Georgetown de noite. Na entrada da cidade nós fomos parados pela polícia: blitz de rotina. Os policiais, bem jovens em sua maior parte, nos perguntam se somos turistas e mais especificamente se viemos para a Carifesta. Trata-se do festival cultural do Caribe  lançado pela Caricom (União dos países do Caribe) em 1972, do qual a décima edição acontece nesses dias. Toda a capital parece estar em efervescência com a chegada desse evento. Diferentes manifestações, tais como a feira de artesanato, os shows musicais ( muito ricos) reunindo uma população vinda dos quatro cantos do Caribe.

Nós já temos um contato para a hospedagem. Trata-se de Senhorita N., uma jovem estudante de direito que também trabalha para uma imobiliária. Graças a essa atividade dupla, ela consegue pagar o aluguel de seu apartamento. Nós chegamos ao local indicado de conhecemos a “Peach House”, que será nosso local de estadia em Georgetown. Como muitas casas daqui, a arquitetura  mescla diferentes estilos. Nossa anfitriã nos explica que a questão da hospedagem gera problemas com frequência, pois os aluguéis são muito caros e o parque imobiliário é insuficiente. É preciso salientar que a população da Guiana foi estimada de 751.000 pessoas em 2005 (de acordo com a Organização Mundial da Saúde) das quais, cerca de um terço vive em Georgetown.

No dia seguinte, nos concentramos no objetivo final da nossa expedição: as cataratas de Kaieteur. Na Guiana Francesa, entre as raras informações disponíveis sobre esse lugar, nós   descobrimos que ele era acessível essencialmente por avião. Mas nós gostaríamos de chegar até lá por terra, “by overland” de acordo com a expressão local. No WWF, nós fomos alertados sobre as dificuldades dessa opção, principalmente pela ausência de caminhos “balizados”. Apenas um prestador de serviços, Franck, quem contatamos rapidamente,  propõe a expedição por terra. A partida foi marcada para dois dias mais tarde, prazo perfeito para podermos organizar a logistica e obter a autorização do Parque Nacional do Kaieteur.

Nós aproveitamos para visitar a cidade, começando pelo parque botâncio de Georgetown. O ambiente é bastante calmo: diversas famílias passeiam pelos caminhos, jovens jogam cricket, verdadeiro esporte nacional, do qual Georgetown sediou a copa do mundo em 2007. Nós nos dirigimos, em seguida, em direção ao centro da cidade e ao mercado montado em volta do Stabroek Hall, um imenso espaço de estrutura metálica e em parte construido em palafitas sobre as águas do Demerara River. Esse surpreendente prédio abriga um labirinto de barracas de artesãos e comerciantes; mas não é suficiente para abrigar o mar de tendas que se multiplicam nas ruas adjacentes, e que transbordam de uma incrível quantidade e diversidade de produtos. As cores, os sabores e os odores se misturam em uma alegre ambiente movimentado. No final da feira, alguns pescadores fazem uma pausa para jogar baralho sobre caixotes de madeira. As pessoas ficam bastante surpresas de nos verem pois são raros os turistas por aqui. A população é bastante miscigenada: Indianos, Crioulos e Ameríndios estão lado a lado.

Nós passeamos nas ruas da capital e conhecemos algumas construções em madeira de arquitetura inglesa, entre elas, a famosa catedral St George’s. Essa imensa construção gótica,  do século XIX, é um paraíso de frescor e  calma. Consagrada ao culto católico anglicano, essa igreja, inteiramente construida em madeira local, seria a mais alta do mundo … se os  panfletos turísticos estiverem corretos.

A economia do país foi recentemente transformada por reformas liberais. Iniciadas por M. Hoyte em 1989, elas foram continuadas por seus sucessores: Mrs Chaddi Jagan e Bharrat Jadgeo, atual presidente da república. Além disso, o Estado obteve recursos graças a empréstimos e privatizações de empresas, de forma que, segundo os indicadores dos organismos internacionais, o país retomou um crescimento positivo.

Todavia, apesar de um ambiente econômico mais estável, a Guiana continua sendo um dos países mais pobres do Caribe e do hemisfério ocidental. Os rendimentos anuais per capta é de aproximadamente 1000 USD (ou seja, aproximadamente 700 euros por ano) e 35,1% da população vive abaixo da linha de pobreza (de 1 USD/dia).

A vida é cara para os cidadãos guianenses, e  só a importante economia informal garante a sobrevivência de algumas pessoas. Durante nossa expedição de descoberta da cidade, nós encontramos muitos desses “trabalhadores informais”, que garantem sua subsistência graças a pequenas atividades. E é assim que enquanto um enche sacos com conchas trituradas, que em seguida serão utilizados na fabricação do concreto; um outro recolhe garrafas de vidro abandonadas e outros na praia e com a ajuda de uma rede, capturam pássaros que serão em seguida vendidos na feira como animais domésticos.

Domingo a noite em Georgetown: todo mundo se encontra no Seawall. Restaurado em 1976, esse dique preserva a cidade, situada abaixo do nível do mar, dos avanços do oceano. É lá que a maior parte dos jovens se encontram para comer algo ou tomar umas cervejas ao som das músicas destiladas pelos Sound Systems. Nós também experimentamos um excelente rum local, o El Dorado.

Mas chegou a hora de partir para as quedas do Kaieteur. As quatro horas da manhã, Franck vem nos buscar com sua 4×4 e seguimos para nove horas de estrada. A rodovia foi criada nos anos setenta e ela é hoje conservada por diversas multinacionais que exploram os recursos naturais. Após algumas horas, a pista se divide: uma parte vai até Lethem, em direção do  Brasil, a outra em direção de Madhia, cidade nascida com a exploração clandestina do ouro*, que nós devemos atravessar. A cada 200 metros, a entrada de uma estrada secundária comprova uma exploração florestal intensiva; além disso, são raras as árvores que ultrapassam 10 metros de altura…. Franck nos explica que a floresta é um dos principais recursos naturais da Guiana, assim como o ouro, a bauxita e o diamante. Nós fizemos um maior conhecimento com nosso condutor, de origem venezuelana e ex-garimpeiro. O garimpo clandestino parece ter uma reputação diferente da  observada na Guiana Francesa: trata-se de um meio como outro de ganhar sua vida. Parece existir uma certa solidariedade entre os trabalhadores do “bush”. As condições de trabalho, todavia, não são fáceis aqui: Franck nos explica que foi preciso trabalhar 24 horas seguidas antes de ter uma folga. Mais tarde ele se orientou para o turismo e obteve seu diploma de guia em Caracas.

Nós continuamos a avançar pela estrada; a laterita se infiltra em todo lugar cada vez que cruzamos com um carro, o ar é escaldante e o trajeto começa a ficar difícil. Enfim, nos chegamos em Madhia  onde fizemos uma pausa curta no posto da Policia para comunicar nossa presença, antes de seguir para o Potaro River. Lá, um homem nos espera, sentado no terraço de uma velha casa de madeira perdida no meio da floresta. Óculos escuros, facão na cintura e botas de  borracha: Tony, nosso guia ameríndio, no leva até as cataratas Kaieteur.

O rio Potaro, que nós subiremos até as quedas, é impressionantemente límpido, com uma cor marrom escura pouco frequente na Guiana Francesa em rios desse porte. O solo arenoso dessa região deixa pouca matéria em suspensão na água.

Vencidos pelo sol a pino, nós aproveitamos nosso primeiro banho guianense de verdade, enquanto às margens, dois índios cortam um maïpouri ao meio para transportá-lo.

Uma vez carregada, nossa piroga de madeira se lança no Potaro, do qual as margens desertas são provavelmente habitadas por inúmeras famílias de garimpeiros. No final do dia, um impressionante degrau do tamanho de uma árvore aparece com o escorrimento do rio: as quedas Amatuk. Situada ao meio, uma vasta ilha de areia branca abrigará nossa barraca durante a noite. Uma família ameríndia decidiu morar lá; John e seu filho nos deram muita força para o resto da viagem. De baixa estatura, bigode fino e um pouco taciturno, John combina bem com seu apelido de “ Soldado ”. Ele possui um conhecimento incomparável da floresta, tanto na parte de cima como na parte de baixo das quedas.

No dia seguinte, nós seguimos por uma trilha que leva para o outro lado da queda, enquanto John e seu filho são incubidos da delicada missão de transportar o motor fora de borda, preso em um tronco. Um outro barco nos espera, para prosseguirmos nossa subida em direção à  Waratuk, que marca a entrada no parque.

O Parque Nacional de Kaieteur foi estabelecido em 1929 e cobre uma superfície de 627 km². Durante muito tempo, por sua inacessibilidade, ele não abriga nenhuma população, exceto a comunidade indígena de Chenapou à uns cinquenta quilômetros sobre as quedas.

Enquanto a gente atravessa uma floresta pluvial, a paisagem vai mudando e se torna mais escarpada. Nós nos infiltramos nas gargantas altas (uns cem metros). A chuva que brinca de esconde-esconde com a gente desde de que chegamos, cai mais uma vez no momento em que nós chegamos às quedas de Waratuk. Nós encontramos refúgio na casa da floresta projetada  sobre o salto. Como de costume, nós comemos três vezes na noite porque o Tony e o John não pararam de cozinhar desde que chegaram! Eles nos comunicam, com um largo sorriso, que o local é infestado por vampiro, os impressionantes morcegos sugadores de sangue.

A etapa seguinte nos oferece uma vista fugaz da catarata tão esperada. Ao longe, mais ou menos a uns vinte quilômetros, podemos notar claramente a gigantesca espuma branca. Uma verdadeira muralha de rocha bloqueia  o horizonte nessa direção.

Nos tirando da nosso sonolência e também do ronco do motro, Tony acosta no meio do nada e nos faz sinal de seguir uma trilha em direção da falésia. Esse capricho nos conduz para um amontoado de rochedos titanescos, depois no pé de uma queda, que ele diz ser nomeada originalmente de “Rock falls”. Com mais ou menos cem metros, seu fluxo vigoroso sobre dezenas de andares nos convida à meditação. Repentinamente, um trovão interrompe nossa tranquilidade. Nós chegamos apressadamente em nosso último acampamento: Tukeit. No caminho, a água aflui do platô situado em projeção, e nós vemos nascer e crescer rios que deságuam no Potaro.

Uma vez na cabana, refugiados nas redes, nós temos todo o tempo para conversar com nossos  compadres, para conhecer e compreender melhor esse país do qual na verdade, nós só temos uma idéia geral. A situação do povo ameríndio parece  ter sido reconhecida cedo pelo governo. Um “indian act” foi redigido confiando aos amerindios, a gestão de seu território e uma certa autonomia. Nós também compartilhamos sua visão da história apaixonante da Guiana.

A última expedição para chegar às cataratas, será, na opinião de Tony, a mais difícil. Um desnivelamento mítico nos aguarda, mas a impaciência fala mais alto. Après Após ter atravessado uma passem batizada como “ Oh my god !”, já podemos ouvir o grunhido das quedas Kaieteur. Nós penetramos em uma paisagem singular, cheia de gigantescas bromélias endêmicas*(as “Giants tanks bromeliads”). O solo granítico está nu. A trilha, incrustada nas rochas titânicas, se torna estreita e desemboca em um platô. À nossa frente, um quilômetro de vazio, e a catarata de Kaieteur. Um rio inteiro caindo de uma só vez de uma altura de 250 metros. Seu fluxo, quebrado bruscamente por uma fratura, marca o fim do platô. Ao longe, à cerca de cem quilômetros, podemos ver o coração do maciço das Guianas: os Tepuys. Essas montanhas misteriosas são situadas nas fronteiras venezuelana e brasileira e podem atingir cerca de 3000 metros de altitude. Nós chegamos ao acampamento costeando a falésia. Trata-se de uma pequena casa de madeira, sobriamente mobiliada, na qual se encontra um velho mapa militar inglês da região. Lá nós encontramos uma mulher de origem venezuelana, responsável pela cozinha, dois pesquisadores herpetologistas americanos, um estudante guianense de biologia e o guarda do local, um guianense de uns cinquenta anos, enérgico, rígido e voluntário, assim como muitas pessoas que encontramos nesse país.

Muitas lendas circulam sobre a origem do nome Kaieteur; uma delas conta que um velho chefe Patamona, chamado Kaie, se sacrifica conduzindo sua piroga para a queda para acalmar Makonaima, o Grande Espírito. De acordo com uma outra versão, o termo Kaieteur seria oriundo da deformação de um termo amerindio que significa the “rumbling man”, o ’homem rabujento.

Quanto à nós, bem longe de vociferar, dividimos nosso tempo entre o banho panorâmico, a descoberta do lugar e diversas espécies animais ou vegetais presentes: galos da serra, as rãs (Anomaloglossus beebei) aninhadas nas bromélias, plantas carnívoras e taperuços de coleira branca (Streptoprocne zonaris), que nos últimos momentos de claridade do dia, chegam, em viravolta, aos milhares para se abrigarem atrás da enorme queda d’água das cataratas.

No dia seguinte, nós fomos acordados pelo ronco característico de um bimotor. Ele faz órbita por um tempo antes de pousar em uma pista que ainda não tínhamos visto. Alguns minutos mais tarde, surge uma dezena de turistas, rapidamente conduzidos por uma guia em direção dos diferentes pontos turísticos.  Após as fotos de praxe, todos caminham em direção ao aeródromo para o voo de volta. A visita durou apenas uma hora… Nós não nos arrependemos nenhum pouco de nossos dias de travessia por essa bela região.

Entretanto, nosso tempo é contado e nós tivemos que abrir mão do projeto de ir ao encontro da comunidade ameríndia Chenapou situada no alto do rio Potaro. Nós cumprimentamos  Tony que desce a trilha rumo a Tukeit.

Para o nosso voo de volta à Georgetown, nós embarcamos em um velho teco-teco inglês, nada sedutor, mas que atravessa com sucesso as fortes e sucessivas rajadas. A floresta foi deteriorada por locais  de extensas cicatrizes, que não são estranhas aos nossos olhos: a exploração do ouro ou do diamente é uma das principais fontes do país. Sãos e salvos, nós chegamos em Georgetown, na atmosfera alegre do festival Carifesta.

Foi com certo pesar que tivemos que organizar nossa longa e bela viagem de volta para Caiena, atravessando as três Guianas.