Dia n°1

Cinco anos mais tarde, aqui estamos nós, no aeroporto de Rochambeau, prontos para uma segunda expedição. Duas rotações de helicóptero levam os seis aventureiros e dois guias  ao Monte-Chauve: somos nós! Do céu, nós não demoramos muito para constatar que em alguns anos a floresta que era virgem  se transformou em um queijo suíço cheio de furos das minas de ouro clandestinas além de ter sido sangrada por grandes estradas florestais Mas logo aparece a montanha cobiçada. Após uma aterrissagem sem história, nós constatamos com alívio que ela está intacta. Onda de calor e silêncio impressionante,  encontro marcado com o bom ambiente. No pico, os novatos da expedição sofrem para montar a barraca pois eles não conhecem os nós… Em seguida, cada um sai para sua pequena exploração para  que, depois  de um sublime por do sol,  todos se reencontrem ao redor de um bom fondue suíço ( sim, nós somos sete Helvéticos em oito pessoas)! De barriga cheia, nós passamos uma noite calma quase  quente até demais.

Dia n°2

Às seis horas da manhã, o sol se levanta e nós também. A imensidão florestal não para de nos impressionar. Hoje, após uma descida bem íngreme do alto do inselberg  onde nós acampamos, nossos passos nos levam às margens de uma pequena lagoa batizada “Snaky Beach”. Nós passamos o dia apreciando o frescor do ar e nos banhando em 10cm de água. No final da tarde enquanto subíamos encontramos vespas, primeira experiência de uma longa série. A noite cai. No menu do jantar: vinho, ti-punch e pizza assada na rocha.

Dias n°3 e 4

As coisas sérias vão começar. Subida íngreme, descida íngreme, sem contar os counanas, palmeiras espinhosas, assim como a passagem de alguns locais lamacentos e poças. Após a retificação de nossa trajetória,foi a apoteose: a cascata tão desejada estava na nossa frente. O lugar é tão magnífico que nós decidimos passar lá nosso dia reserva, que foi ritmado por explorações individuais, organização do material e sobretudo por um violento temporal que nos obrigou a passar a tarde toda em nossas redes.

Jour n°5

Na companhia de uma pequena cobra d’água capturada no dia anterior, a gente retoma a caminhada. O ambiente florestal é variável: arvores derrubadas, “autoestrada”, lama e as maldosas counanas. Primeiro os trovões e depois as chuvas diluvianas nos molham a tarde inteira. Nenhum sinal de satélite chega e a gente erra a proa. Após algumas horas passadas em ambiente  « elétrico », nós reencontramos nossa convivialidade graças ao ti-punch da noite, apreciado em nossa espécie de sala construída de folhas de palmeiras  dispostas no solo.

 Dia n°6

A bem longa caminhada do sexto dia foi brutalmente interrompida. Atenção, formigas! O ataque delas até obrigou alguns a se despirem… Um banho na cascata que um de nós avistou acalma todo mundo

Dian°7

O relevo acidentado provoca alguns escorregões, perda de equilíbrio e às vezes quedas, o que complica nosso avanço. Outra cascata ao longe. Um de nós parte para abrir caminho. Tirando a recepção “calorosa” reservada ao nosso batedor por uma pequena jararaca e um ninho de vespas, tudo bem! Foi ali que passamos a noite

Dia n°8

Ao longe, o motor de uma piroga pode ser ouvido, indicando que nos aproximamos do rio Approuague, mesmo se não foi hoje que chegamos até ele. Nossos encontros animalisticos continuam : um veado, uma paca e dois morcegos.

Dia n°9

Uma carriça (Troglodytes troglodytes ) nos acorda. Nosso último dia de caminhada na floresta foi pontuado por troncos escorregadios e passagens de vegetação densa onde precisamos abrir caminho no facão. Apesar das vespas que sempre nos acompanharam, nós apreciamos a beleza da floresta antes que a vista do Approuague se ofereça por todos os lados. Mas o sonho chega bruscamente ao fim:  o solo é forrado com detritos e galões de combustível, um cheiro de benzina paira no ar e a cor ocre do rio indica a presença de um ponto de garimpo clandestino rio acima.

Dias n°10 ao 12

O retorno para Régina é feito em piroga. Após uma parada de dois dias em Saut-Athanase, um ônibus leva nossa pequena equipe para Caiena. Nós voltaremos !