A Guiana Francesa, terra rude e secreta, é também uma terra fértil da qual brotam fortes personalidades.

Entre elas, SUSKY: um piloto de avião, artista, aventureiro, um pensador livre?!

A evocação de seu nome faz brotar nos espíritos, uma infinidade de imagens muito diversificadas e cheias de cores, e ninguém consegue enquadrar essa personalidade extrapoladora.

VISÃO GLOBAL

Alguns aerófilos recordam imediatamente a audácia do piloto; essa audácia que lhe garantiu as missões mais arriscadas sobre a floresta guianesa, durante mais de 50 anos.

Os passageiros quanto a eles, guardam na memória a imagem de um “intrépido” que os levava todos os dias, a bordo de um monomotor, na maioria das vezes, por locais entre os mais retirados do território.

Durante essas décadas, esse “grande pequeno homem” deixou uma lembrança marcante, nos 4 cantos da Guiana Francesa; onde suas atividades (no serviço veterinário, trabalhando como mestre de obras…) o levaram a residir: em Sinnamary, Mana, St Laurent-du-Maroni, Camopi no alto do Oyapock, em Ouanary…

Hoje em dia, é sob a sombra de uma Terminalia Catappa (amendoeira da praia)– em uma praça caiena às margens do oceano – que podemos vê-lo com frequência.

É por lá que, ao interrompermos a sua caminhada meditativa, é possível conversar com ele em um banco…

Abra bem seus ouvidos! E saboreie o testemunho de uma rica experiência de vida, um bom motivo para conversas intermináveis, sempre marcadas por uma visão realista do território e de seus homens, de suas transformações, e às vezes … um pouco revolucionários!

Entre seus talentos, Sr. SUSKY cultiva o da 3a. arte. Ainda relativamente pouco conhecido,  é  dessa forma que ele exprime plenamente o olhar penetrante que ele lança sobre o mundo. E sua pintura revela acentos multicoloridos, ainda mais do que notamos em sua  linguagem.

É a voz da experiência ora!

UM COMEÇO PROMETEDOR?

A cena aconteceu há menos de um século, na sala de aula de um pequeno vilarejo, em um país da Europa, mais tarde desaparecido do mapa geopolítico.

Nesse dia, o desenho mostrado como exemplo pelo inspetor é o do jovem SUSKY, na época com nove anos. O feito foi considerado “original” e com essa apreciação, o garoto viu um reconhecimento de sua genialidade precoce.

Desde então, ele não precisou mais recorrer aos camaradas que faziam, às vezes, seus “trabalhos” em troca de algumas bolinhas de gude. Ele também abandona  a graxa e a parede dos banheiros da escola, primeiros suportes de sua expressão… livre.

LATÊNCIA

Aos 15 anos, ele deixa a fazenda da família, onde ele se ocupava nos períodos extra-escolares desde que ele começou a andar. Ele parte para os estudos de Agronomia em Viena (Áustria). Mas no final dos anos 30, a decisão do destino foi outra…

Passada a segunda guerra mundial, ele está na França onde trabalha, primeiro nos poços de carvão de Saône-et-Loire e depois como jardineiro no Norte. Nisso, ele obteve os documentos em ordem e aprendeu francês… a conjugação dos verbos colada na manga de seu casaco. Certo dia  em Paris, ele adquire livros de ciências dos quais ele cola as páginas… no fundo de sua cesta, a fim de estudar durante a colheita. “Foi uma universidade, sem igual!”.

Após sair em segundo lugar de sua promoção na escola de agricultura, SUSKY se torna funcionário  2a classe ; ele foi nomeado supervisor de leite na região do Jura.

Durante todos esses anos, a pintura continuou sendo um dos seus centros de interesse, e sobretudo um meio de “juntar o útil ao agradável”. Mas, como num estado latente, sua arte se contentava, na maioria das vezes, com os lápis de cor usados sobre tela de esmeril.

Um pouco mais tarde, ele ganha o mundo: proa para o Rio de Janeiro. Visitando o filho de um amigo, ele fica por lá durante  um ano, com planos de seguir em seguida para o Canadá. Mas

nessa direção, e a fim de renovar sua carte de séjour (Visto de permanência limitada), ele fez escala na Guiana Francesa… que ele nunca mais deixou!

Ele só visitou o Canadá, muitos anos mais tarde, em companhia de sua filha guianesa.

REVELAÇÕES

No alto dos seus 25 anos, SUSKY escolheu a Guiana Francesa onde “ele inicia pra valer  [a sua] vida”.

Sua prática pictórica vai se tornando mais séria… Primeiro, sobre compensado com tinta comum comprada em lojas; em seguida ele conseguiu comprar produtos de melhor qualidade. E aos poucos, se concentrando nos detalhes, a técnica se refina.

Seus temas prediletos são as paisagens da Guiana Francesa, e particularmente a floresta amazônica ; vistas de dosséis florestais infinitos, observados das alturas.

Durante toda a sua vida, sempre que ele juntava um pouco de dinheiro no final do mês, ele “pagava uma garota ou meia hora de voo… mas na maioria das vezes era o avião!”.

Quando tornou-se um piloto impecável, ele partia sempre para os cantos isolados aos quais ninguém quer ir.

HOJE E AMANHÃ

Hoje François SUSKY guarda, em seu apartamento-ateliê, cerca de trinta telas “em andamento”. Aparentemente terminadas, que são incessantemente retocadas; algumas há 30 anos! Quando elas secam, ele acrescenta toques de cores e retrabalha o conjunto, com facas e pincéis … ou diretamente com os dedos.

Hoje, ele gostaria de vender mais para financiar seus futuros projetos como reeditar seu romance “Após o fim” (uma formidável história de contra-espionagem, edições Artes & Sistemas) ou publicar o próximo: um livro sobre a revolução intitulado“Como ousamos falar de democracia?”, hino à democracia participativa.

Ele diz ter pintado cerca de 200 telas, que estão espalhadas entre os 5 continentes… mas quando lhe fazemos a pergunta, SUSKY, púdico, se define como um
“aventureiro destemido”.