Em maio de 2010, a nova regulamentação térmica para os Departamentos franceses ultramarinos entrará em vigor. Todas as novas construções de alojamentos deverão respeitar alguns critérios arquitetônicos e técnicos. Favorecendo o surgimento de moradias mais confortáveis e mais econômicas em energia. Esses critérios são baseados em um modo de construção chamado “bioclimático”.

O homem utilizou os materiais mais acessíveis e disponíveis para se abrigar. A floresta, por muito tempo forneceu o material necessário para as construções, seja para a arquitetura ameríndia, crioula ou negra-maroom. Dessa base comum, cada cultura concebeu um habitat e o adaptou segundo sua localização e seu modo de vida.

Uma outra característica comum aos diferentes tipos de habitats tradicionais é a implementação de dispositivos que permitam que uma moradia seja fresca e arejada. Na verdade, nós podemos ver nas velhas construções crioulas, por exemplo, beirais de telhados periféricos em cada andar, das cimalhas* sobre as portas e as janelas, venezianas*, persianas, e até mesmo telhados abertos na parte alta. Isso também é observado nas estruturas tradicionais das populações ameríndias das quais a aparente simplicidade oferece um real conforto de utilização.

Ora, a energia de baixo custo e uma confiança ilimitada nas tecnologias têm ultimamente prevalecido sobre o know-how dos ancestrais, levando a pensar que poderíamos nos livrar das restrições climáticas.

Esses modos de construção importados e a utilização de materiais nem sempre adaptados criaram novas necessidades. Dessa forma, os sistemas de climatização individuais tiveram tendência a se generalizar no litoral, lá onde paradoxalmente o regime de ventos é mais pronunciado. Lembramos que esses sistemas de resfriamento elétrico são muito energívoras. O desenvolvimento dessa utilização no setor residencial gera um forte aumento da demanda de eletricidade, principalmente no momento dos períodos de ponta de consumo. Isso traz consequências sobre os custos de funcionamento, e as emissões de gás de efeito estufa, ligadas aos meios de produção térmica utilizando o diesel ou o fuelóleo pesado, para responder a essa demanda suplementar e hoje, se considerarmos o custo global, ou seja, o conjunto de custos gerados por uma construção no decorrer de sua vida, (custo de construção, estudo, obras,…), de funcionamento (energia, água, resíduos, conservação, manutenção) e de demolição (canteiro de obras, reciclagem,…), nós notamos que ele é finalmente bem mais elevado para esse modo de construção do que para uma moradia bem planejada.

A arquitetura bioclimática tira o melhor partido do clima e do comportamento dos ocupantes a fim de reduzir ao máximo as necessidades energéticas. A questão essencial é manter o conforto no interior das moradias sem que para isso seja preciso a instalação de um sistema de ar condicionado.

Na Guiana Francesa, a concepção de um tal habitat se resume em 3 pontos:

- a implantação em relação aos ventos dominantes, a trajetória do sol e o ambiente externo a fim de criar as melhores condições no interior da moradia,

- a ventilação natural, que é a pesquisa da melhor distribuição das peças favorecendo a circulação de ar em todos os pontos da moradia

- a proteção solar permite minimizar as entradas de calor pelas paredes da moradia e o ensolaramento direto pelas janelas.

A utilização de materiais locais e equipamentos de produção de energia renovável faz parte de uma atitude ambiental mais global que acompanha a arquitetura bioclimática. Na verdade, após ter reduzido para o mínimo o consumo energético, é possível responder às necessidades restantes com a produção de água quente solar, eletricidade fotovoltaica e com a recuperação de água.

A nova regulamentação térmica para os departamentos ultramarinos aconselha a implementação dessas soluções simples e menos energívoras. É de uma certa forma, um retorno para os princípios já aplicados na arquitetura tradicional que foram amplamente testados e mostraram sua eficácia. É claro que hoje as necessidades são diferentes e a arquitetura e os materiais evoluíram. A arquitetura moderna vai simplesmente encontrar os antigos princípios, com a utilização de materiais contemporâneos e tecnologias mais eficazes.