A teledetecção em socorro ao meio-ambiente amazônico

O contexto amazônico e a urgência em trabalhar com informações ambientais confiáveis, demandaram a utilização de ferramentas de ponta para a pesquisa científica e de desenvolvimento durável.

O centro I.R.D da Guiana Francesa anuncia perspectivas encorajadoras graças à  ajuda de um centro internacional de monitoramento do meio-ambiente amazônico por satélite.

A primeira imagem de satélite capturada é de novembro de 2005 e desde então, a estação SEAS-Guiana trabalha em regime pleno! Todos os dias chegam entre 200 e 550 imagens em tempo real no centro IRD de Caiena. A plataforma tecnológica permitiu em 2006, o referenciamento de mais de 140.000 imagens capturadas pelos satélites SPOT 2, 4 e 5 e ENVISAT.

O objetivo definido é criar um observatório, um centro de referência para o conhecimento e o acompanhamento das dinâmicas do meio-ambiente amazônico e caribenho, divulgar o conhecimento dos ecossistemas e favorecer a atratividade da Guiana Francesa para a pesquisa, formação em teledetecção e suas aplicações.

A unidade ESPAÇO de Caiena (Análise e espacialização dos Conhecimentos em Meio-ambiente) e o Professor Jean-Marie Fotsing (Responsável pelo centro IRD da Guiana Francesa) nos possibilitaram o acesso à tecnologia de SEAS-Guyane. SEAS (Monitoramento do Meio-ambiente amazônico Assistido por Satélite).

UM CONTEXTO ÚNICO NO MUNDO

A Guiana Francesa é um território idealmente posicionado para a observação da Amazônia e constitui uma janela européia em área equatorial.

É uma vantagem para a Guiana Francesa que se beneficia há dois anos de uma plataforma tecnologia sem igual na América do Sul e na Europa: a estação de recepção de imagens de satélite SEAS-Guiana.

Implementada pelo IRD, ela foi cofinanciada em grande parte pela Região Guiana,  CNES (Centro Nacional de Estudos Espaciais), o estado e os fundos europeus (FEDER) para as principais participações públicas. Ela também foi objeto de uma parceria  público/privada entre o IRD e a empresa Spot Image.

SEAS ATENDE À UMA VONTADE DUPLA

A estação SEAS é uma fonte de dados excepcional para a Guiana Francesa e os territórios inclusos no raio de aquisição. A vontade do IRD e de seus parceiros se declina em diversos pontos :

A disponibilização de ferramentas para a pesquisa, as coletividades locais e as empresas inovadoras.

O desenvolvimento de um ensino de qualidade sobre a teledetecção e o Pólo Universitário Guianês (PUG).

A COOPERAÇÃO CIENTÍFICA REGIONAL E INTERNACIONAL

O Prof. Fotsing ressalta o fato de que “a Guiana Francesa é a única região do mundo na qual a comunidade de pesquisadores, administradores ou industriais têm a possibilidade de obter dados gratuitos”.

Um secretariado executivo examina os pedidos e, com critérios precisos, libera ou não o acesso às imagens de satélite. O projeto tem alguma importância para o desenvolvimento da Guiana Francesa? Quais são as novidades sobre a legitimidade do projeto científico? Em 2006, 702 cenas SPOT forma distribuídas para as necessidades dos usuários.

As aplicações da teledetecção são múltiplas e de naturezas diversas. SEAS-Guiana constitui um observatório das redes hidrográficas, dinâmicas territoriais ou ainda da biodiversidade.

Alguns exemplos de projetos mostram que uma imagem de satélite é uma ferramenta real de ajuda à tomada de decisão. A DIREN (Direção Regional do meio ambiente) se beneficiou de vistas de satélites em 2006 a fim de determinar precisamente a localização das áreas habitadas no perímetro compreendido para a criação do Parque Amazônico. A Região também utilizou o sistema SPOT no âmbito da revisão das orientações do Esquema de ordenamento Regional (SAR).

As atividades de empresas inovadoras tais como a Nev@ntropic permitem, graças às imagens, o monitoramento das poluições por hidrocarbonetos ou ainda o supervisionamento do desflorestamento na Amazônia.

As imagens da SEAS Guiana estão no coração de projetos de grande envergadura internacional.

Em julho de 2007, cerca de 600 imagens foram exploradas pelos projetos pilotos conduzidos internamente pela unidade ESPACE.

Entre eles, o Prof. Fotsing cita o projeto PARAGE que permitiu melhor situar principalmente a atividade agrícola, graças à uma melhor análise dos impactos da agricultura sobre o meio-ambiente.

O dispositivo EREMIBA envolve uma outra área que é a da saúde. Ele visa estudar as relações entre as mudanças ambientais e a disseminação das doenças tropicais tais como a dengue ou o paludismo.

Enfim, o programa de cartografia dos litorais amazônicos PROCLAM permite a realização de uma cartografia contínua dos litorais desde Saint-Laurent-du-Maroni   no oeste até  São Luis no estado do Maranhão (Brasil).

DESENVOLVER A FORMAÇÃO EM TELEDETECÇÃO

Um dos principais objetivos da instalação da estação SEAS na Guiana Francesa é o desenvolvimento de uma oferta de formação. É preciso que o PUG (Pólo Universitário Guianês) desenvolva uma proposta de formação adequada para que os jovens guianeses, após o vestibular possam ter a oportunidade de explorar as imagens de satélite. “Não existe curso de base em geografia” lamenta

o Prof. Fotsing. Em 2006, a primeira promoção do Master 2 REMI-VERT (Recursos em Meio Intertropical com ênfase em Valorização Energética, Riscos e Teledetecção) foi inaugurado. Esse curso tem uma influência direta sobre as novas tecnologias. As candidaturas se estendem além do departamento guianês. Jovens brasileiros entre outros poderão se beneficiar dos cursos. Isso faz parte dos objetivos dos acordos e do desenvolvimento sustentável na bacia amazônica

DUAS GERAÇÕES DE SATÉLITES SÃO BASEADAS EM CAIENA

A recepção de imagens de satélite já tem um histórico na Guiana Francesa.

A estação da rede SEASNET está em atividade desde maio de 1998. Essa estação e suas equivalentes na Ilha da Reunião, em Nova Caledônia, Polinésia e nas Canárias, têm por objetivo comum, o monitoramento do meio ambiente.

São imagens de sensores embarcados nos satélites da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) e o SeaWifs, que o IRD recebe a cada dia. Os produtos resultantes são por exemplo, os mapas de temperaturas de superfície ou as cartas de concentração em clorofila.

Essas duas famílias de satélites permitem uma aproximação do meio-ambiente em duas escalas diferentes.

Por exemplo, nós também podemos entender a dinâmica costeira junto a um povoado graças à  precisão das imagens SPOT ou obter resultados “campo aberto ” no conjunto da área amazônica graças à estação SEASNET

Em breve, as imagens de uma terceira família de satélite serão recebidas pelo centro IRD de Caiena. Antes de tudo, o sensor  hiperespectral MERIS será embarcado no satélite ENVISAT. Em seguida, o satélite TERRA-MODIS fornecerá outras perspectivas de explorações das imagens de satélite.

Com a preocupação de participar dos eventos científicos do departamento e de envolver ao máximo, os jovens guianeses nessa área que é a da teledetecção, o IRD está presente na cena pública.

O público jovem escolar dos povoados isolados, aproveitam à cada ano, durante a Festa da ciência, da presença de especialistas da IRD, que graças a um material pedagógico adequado, podem sensibilizar os alunos com relação às tecnologias distantes de seu quotidiano e de seu ambiente.

Você pode encontrar a unidade ESPACE nos estandes da Festa da ciência que acontecerá esse ano entre 17 e 23 de novembro. O fato de o ano 2008 ser o ano internacional do Planeta Terra, deverá sensibilizar mais a população para o fato de que essas tecnologias inovadoras trabalham para a gestão durável de nosso meio-ambiente.

Em novembro de 2008, SEAS-Guiana comemorará o 3o.  Aniversário de sua primeira imagem  capturada! Nessa ocasião, um colóquio será organizado e o lançamento de um Atlas deverá  disponibilizar para o grande público, uma série de imagens vistas do céu.