No cruzamento de diferentes olhares voltados para o meio ambiente, a arqueologia da paisagem considera o meio natural tal que território povoado, organizado e explorado em função das necessidades específicas. Assim, ela estuda as relações entre o Homem e seu ambiente com o objetivo de melhor entender o funcionamento das comunidades antigas no meio natural. O método de análise associado consiste em uma confrontação dos mapas ambientais temáticos (mapa do relevo, vegetação, geologia,…) e mapas arqueológicos. A análise espacial desses dados é efetuada por meio de um Sistema de Informação Geográfica (SIG), uma ferramenta informatizada que permite a observação das correspondências entre as escolhas de implantação dos sítios e as propriedades dos terrenos que eles ocupam (tipo de solo, altitude, vegetação…).

Aplicada na parte litoral, a oeste de Kourou, essa análise revelou um modo de ocupação específica. Hoje, as investigações arqueológicas permitiram a localização de seis zonas apresentando indícios de ocupação humana da época pré-colombiana. Observamos, pela analise cartográfica, que todas apresentam a particularidade de estarem situadas em relevos, os quais são sistematicamente compreendidos entre 2 e 7m de altitude (mapa 1). Esses relevos compartilham a característica de serem atualmente recobertos por um mesmo tipo de floresta do qual o desenvolvimento se deve à presença de cordões litorâneos (mapa 2). Pela comparação e a complementaridade dos dados ambientais e arqueológicos, e no estado atual de nossos conhecimentos, nós constatamos que as comunidades ameríndias antigas instaladas na planície costeira ocuparam aqui preferencialmente os cordões arenosos litorâneos (Esses cordões correspondem aos vestígios de antigas linhas de costa).

Essas observações permitem levantar diversas hipóteses referentes ao funcionamento das comunidades nesse ambiente costeiro. Na verdade, parece que essa escolha da instalação possa ser explicada em parte, pelo fato de que os cordões sobre-elevados no meio das savanas pantanosas e inundáveis representam os únicos afloramentos de terra firme. Eles oferecem um local privilegiado ao abrigo dos riscos de submersão. Esse modo de ocupação constituiria uma resposta às restrições desse meio ambiente litorâneo regularmente sujeito à subida das águas.

Em termos de subsistência, a instalação das comunidades nesse espaço permite uma fácil exploração dos recursos de diferentes meios (meio de água salgada e água doce): produtos do mar, dos pântanos, da savana e da floresta. Em contrapartida, se investigações complementares confirmassem a aparente ausência de ocupação da parte meridional, seria possível considerar a existência de sociedades das quais as práticas teriam sido orientadas mais em direção do mar do que da floresta.