O povoamento das Guianas se opera desde a época paleoindiana, mesmo se nenhuma prova arqueológica direta permite conhecer a data precisa desse fato. As condições climáticas são mais secas e os grupos humanos evoluem em uma paisagem que combina floresta densa e úmida sobre os relevos, floresta seca nas planícies e savanas costeiras e interiores mais extensos que atualmente. O nível do mar também é inferior de 100m o que libera uma maior superfície de terras emergidas. Os Homens desse período são caçadores-colhedores nômades que baseiam uma boa parte de sua subsistência na caça de presas grandes hoje desaparecidas (mastodontes, megatério…).

O período mesoindiano é uma fase formativa durante a qual o Homem amazônico inventa e inova. Com a megafauna extinta, os caçadores tiveram de recorrer aos animais de pequeno porte e alguns grupos humanos, instalados no litoral atlântico ou ao longo das margens do médio Amazonas, se especializaram na coleta de conchas. Os primeiros traços de louças de barro (cerâmicas) apareceram por volta de 6.000 a.C. no médio Amazonas e vestíbulos de invenção um pouco mais tardios foram reconhecidos ao longo das costas do Pará e do noroeste da Guiana Francesa. As primeiras tentativas do cultivo doméstico da mandioca teria se produzido durante uma fase mais seca entre 5.000 e
2.500 A.C. – que gerou a multiplicação dos espaços abertos e favorece o desenvolvimento da mandioca selvagem(brava).

A partir do período neoindiano, as condições climáticas e ambientais são sensivelmente as mesmas que agora. As invenções técnicas desenvolvidas no mesoindiano são agora plenamente dominadas e os grupos humanos se tornam mais sedentários. Eles mudam progressivamente de modo de subsistência, domesticam novas plantas (milho) e intensificam suas práticas agrícolas. Eles selecionam e exploram paralelamente algumas espécies florestais úteis para o regime alimentar ou para o artesanato. Os efetivos das comunidades neoindianas vão pouco a pouco crescer e provocar desequilíbrios locais e regionais que resultarão no surgimento de sociedades mais estruturadas e melhor organizadas assim como uma afirmação mais forte do conceito de territorialidade.